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Dietas low-carb associadas com maior risco de mortalidade

Em estudo recente publicado no periódico European Heart Journal, os autores investigaram, prospectivamente, a associação entre dietas low-carb (DLC) e mortalidade por todas as causas e causas específicas.

Embora as dietas com baixo teores de carboidratos (CI) e alto de proteínas (P) e gorduras (G) tenham mostrado ser efetivas na redução do peso corporal e no risco cardiometabólico, sua segurança de longo prazo ainda não está totalmente relatada.

Os autores investigaram, prospectivamente, a associação entre dietas low-carb (DLC) e mortalidade por todas as causas e causas específicas, além de realizarem uma revisão sistemática e meta-análise dos estudos randomizados disponíveis.

Os dados foram obtidos do NHANES, incluindo 24.285 pacientes com idade superior a 20 anos, que foram acompanhados por 144 meses. Os desfechos foram mortalidade por todas as causas, bem como morte CV, câncer e morte cerebrovascular. Um escore da DLC foi calculado para estimar a ingestão de P e G e CI para cada participante, com escore máximo de 30.

O consumo de CI foi categorizado como escore 10 (mais baixo consumo) e escore 0 (mais alto consumo), enquanto o consumo de P e G foram categorizados como escore 0 (mais baixo consumo) e escore 10 (mais alto consumo); os participantes foram então estratificados de acordo com o DLC escore, em quartis: Q1=12 (367g de CI e 77g de P e 73g de G /dia), Q2=15 (245g de CI, 69g de P e 65g de G /dia), Q3=18 (205g de CI, 72g de P e 70g de G /dia) e Q4=21 (214g de CI, 103g de P e 105g de G /dia).  

A meta-análise de 9 estudos de coortes prospectivas (n=462.934) investigou o risco de mortalidade subsequente a DLC. 

Os participantes não apresentavam história prévia de DAC, DM ou outra afecção crônica. 

A média de seguimento foi de 16,1 anos.

Na análise individual, DLC com os escores mais elevados se relacionaram com incremento no risco de morte por todas as causas e por morte por causas específicas. Mesmo sem a quantidade de CI consumido não tendo diminuído entre as DLC com maiores escores (Q3=205g e Q4=214g).

Indivíduos no quartil Q4 tiveram o maior risco de mortalidade total, Q4: HR1,32 (IC 95%:1,14-2,01), Q3: HR 1,19 (IC 95%:1,09-1,82), Q2: HR 1,09 (IC 95%: 1,02-1,64), comparados ao Q1 referencia, p<0,001 para todos.

Participantes Q4 apresentaram HR 1,51 (IC 95%:1,19-1,91) para morte coronária, HR 1,50 (IC 95%:1,12-2,31) para morte cerebrovascular e HR 1,35 (IC 95%:1,06-1,69) para morte por câncer, comparados a Q1, p<0,001 para todos.

A relação entre o baixo consumo de CI e elevado de P se associou positivamente com mortalidade por todas as causas, Q4: HR 1,21 (IC 95%:1,04-1,39); bem como por DAC, Q4: HR 1,44 (IC 95%:1,02-2,09); cerebrovascular, Q4: HR 1,41 (IC 95%:1,09-1,72); e por câncer, Q4: HR 1,22 (IC 95%:1,02-1,48), comparados com Q1, p<0,001 para todos.

Na análise global, prospectiva, o escore de DLC se associou com mortalidade por todas as causas (RR 1,22 IC 95%:1,07-1,39 p<0,001); morte CV (RR 1,13 IC 95%:1,02-1,24 p=0,01); e morte por câncer (RR 1,08 IC 95%:1,01-1,15 p=0,02).

A relação entre o baixo consumo de CI e elevado de P se associou com mortes por todas as causas (RR 1,16 IC 95%:1,07-1,26 p<0,001); morte CV (RR 1,35 IC 95%:0,99-1,07-1,69 p<0,001); não sendo significativa para mortes por câncer.

Os autores concluíram, que ambas as análises, individual e global, demonstraram uma associação entre DLC e maior risco de mortes por todas as causas e causas específicas, em adultos; os potenciais mecanismos mediadores desses efeitos deletérios, segundo os autores, se relacionam com o reduzido consumo de fibras e frutas, o elevado consumo de proteínas de origem animal e gorduras saturadas e colesterol, reconhecidos fatores de risco para a mortalidade total e CV.

 

Referência: Mazidi M et al. Lower carbohydrate diets and all-cause and cause-specific mortality: a population-based cohort study and pooling of prospective studies. Eur Heart J. 2019;DOI:10.1093/EURHEARTJ/EHZ174.

 


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